domingo, 29 de março de 2015

Descorchados 2015

O Descorchados 2015 é um evento muito aclamado e certamente muito importante para a América do Sul não só pelo o que representa no que tange a "descoberta" de grandes produtores e rótulos, mas também pela projeção que os vinhos da "banda de cá" ganham para as "banda de lá", ou seja, no mercado da América do Norte, Europa e porque não Asiático? Patricio Tapia não ganha 100 pontos apenas por ser bom no que faz, - sua premissa básica: descobrir, pontuar e descrever bons vinhos- mas por ser uma autoridade no segmento "acessível". Tive a oportunidade de conhece-lo pessoalmente há alguns anos em uma edição da Expovinis, e posso dizer que ele é de fato uma grande pessoa. No Descorchados 2015, aqui em São Paulo, realizado na Praça São Lourenço, podíamos ve-lo entre os convidados, completamente despojado de rótulos. E é isso o que eu mais gosto de ver neste meio, pessoas que gostam de pessoas assim como quem gosta de vinhos.

Neste último evento também me "despi" do meu inseparável, até então, bloquinho de anotações, quis estar mais a vontade, permitir-me desfrutar do momento, ter olhos clínicos e sentidos mais desprovidos de análise x caneta a câmera fotográfica bastou - me para posteriormente descrever e reavivar as minhas memórias. Por fim, vi muitos rótulos e produtores já com bastante atividade no Brasil, mas me rendi a conhecer o novo, e posso dizer que a experiência foi muito boa. Cacique Maravilla é um produtor de vinhos orgânicos fantásticos, produz um vinho branco não filtrado com o corte das uvas Moscatel, Torontel e Corinto que me fez calar a boca quando o assunto é visual. A embalagem é muito simples, mas o vinho é diferente de tudo que já vi no mercado, tem proposta única. Deste mesmo produtor degustei dois tintos: o Pipeño 2013, um corte de 50%- 50% de Pais (uva autóctone do Chile) e Cabernet Sauvignon e o Pipeño 2014 -100% Pais. Fantásticos também.


Outros vinhos que fiquei admirada com a grandeza de sabores e de qualidade foram os vinhos Laberinto Cenizas Sauvignon Blanc e o Pinot Noir, do também simpático enólogo Rafael Tirado, servidos por ele mesmo o qual foi muito atencioso. O Sauvignon Blanc principalmente, de uma mineralidade digna de um Sauvignon lá das terrinhas do Loire, não é à toa que a safra que estava sendo degustada (2014) levou 96 Pontos no Guia Descorchados 2015.

Mais um vinho que merece palmas de ouro é o Mai 2010, da Kaiken. Frutas vermelhas e escuras muito intensas, muita estrutura e aguenta ai mais uns 10 a 15 anos de "vida". Fiquei feliz em ver a Viña Maquis neste evento. Na Expovinis de 2014 tive o prazer de conhece-los e fiquei encantada com os seus vinhos. Mais contente ainda em saber que conseguiram um importador no Brasil. Lien é o seu grande destaque. Escrevi sobre ele na matéria que publiquei ano passado sobre o evento.
Leiam em http://vinhosamoresetaca.blogspot.com.br/2014/05/expovinis-2014-com-forca-na.html

O projeto Tara, do grupo da Viña Ventisquero também me encantou, mas como uma Cinderela às pressas, fui embora deixando muita coisa ainda para trás a degustar...


Até o próximo post!

Vanda Meneguci.


terça-feira, 24 de março de 2015

Vinho do Deserto do Atacama? Sim, é possível

 Você sabia que é possível produzir vinhos no deserto? A chilena Vinã Ventisquero provou que sim! A vinicola assina a linha de vinhos Tara, os primeiros produzidos na região mais árida do planeta: o deserto do Atacama. O projeto teve início em 2006, coordenado pelo enólogo - chefe da VentisqueroFelipe Tosso, ao lado dos enólogos Alejandro Galaz e Sergio Hormazábal. Na ocasião, a equipe enológica da vinícola iniciou o estudo do terroir para plantar, em 2007, as primeiras videiras.

"Foi um enorme desafio. É como aprender a fazer vinho de novo ou como fazer em marte. Tivemos de descobrir como gerir o sal do solo do vinhedo e como produzir em um terroir tão extremo e insólito", conta Tosso.

Nestes solos calcários, a Viña Ventisquero expandiu as fronteiras do mapa vitivinícola do Chile e apostou na criação de vinhos de alta qualidade, com características únicas. Os rótulos Tara são o resultado do pioneirismo da vinícola: duas mesclas tintas - uma com base em Pinot Noir (Tara Red Wine 1) e outra com base em Syrah (Tara Red Wine 2) - e um branco com base em Chardonnay (Tara White 1). Tara Red Wine 1, Tara Red Wine 2 e Tara White 1 têm origem no mesmo vinhedo, localizado a 16 km do mar, no Vale de Huasco. 

Para ser fiel ao terroir onde os vinhos foram elaborados, foi preciso optar por uma forma de produção que se refere aos processos artesanais da colheita, vinificação e aos procedimentos de engarrafar o vinho. Assim, a colheita é realizada manualmente e, no caso do Tara White 1, a prensagem foi realizada de forma tradicional, com os pés, o que representou um rendimento de apenas 40% das uvas.

A linha recebeu o nome mítico Salar de Tara, um dos tours mais procurados no deserto do Atacama. A paisagem evoca o silêncio e a imensidão do local. Daí vem a inspiração para Tara: rótulos com traços simples e garrafas numeradas que indicam a pequena produção de cada um dos vinhos, com cápsula azul- celeste que lembra o céu mais azul do mundo. 

Segundo Felipe Tosso, Tara é uma experiência que leva os apreciadores do vinho além dos clássicos. "Hoje não conheço no Chile um terroir como este, tão extremo, e por isso, com a possibilidade de dar origem a vinhos tão diferentes. São vinhos que refletem a identidade de Atacama", define o enólogo.


Viña Ventisquero

Criada em 1998, a Ventisquero é liderada por uma equipe jovem, criativa e de espírito empreendedor. Possui escritórios em países como Estados Unidos, Inglaterra, Espanha e China e seu portfólio apresenta vinhos premiados internacionalmente como o Pinot Noir Herú, além dos ícones Vértice, Pangea e Enclave, elaborados pelo enólogo-chefe Felipe Tosso em parceria com o enólogo australiano John Duval.

Em 2012, foi a primeira vinícola a receber o “Certificado de Sustentabilidade Wines of Chile” em 100% de seus vinhedos por suas práticas de certificação sustentável em todos os campos de cultivo. Em 2013, avaliada também nas categorias ‘adega’ e ‘responsabilidade social empresarial’, recebeu a segunda certificação por sua evolução em todas as áreas relacionadas à elaboração do vinho. www.ventisquero.com

 Informou: CH2A Comunicação


Até o próximo post!
Vanda Meneguci

domingo, 22 de março de 2015

Harmonização. Brócolis ao forno - Pania Sauvignon Blanc


  Sábado, almoço prático para despedir-se do verão, como uma espécie de boas-vindas a nova estação; e que venha então o outono! Na casa de um amigo, juntos elaboramos um prato fácil e delicioso para harmonizar com um vinho cheio de frutas, com vivacidade e frescor incríveis: o Pania Sauvignon Blanc, um exemplar e tanto da Nova Zelândia - Marlborough, região tão emblemática e de clima propício para a produção de vinhos de grande expressão para a casta Sauvignon Blanc.

  Harmoniza-lo com um prato também leve, foi o que pensamos, o brócolis, que para nós, ganhou um up grade com croûtons regado ao azeite, pimenta vermelha, e queijo Emmental. Vamos a receita, análise do vinho e posteriormente à conclusão desta harmonização que nos surpreendeu positivamente e deliciosamente!


Brócolis ao forno (porção para 2 pessoas):

Ingredientes:
- 1 maço de brócolis,
- 1 pacote de mini torradas,
- 1 pimenta vermelha cortada em pedaços pequenos sem sementes,
- 150 gr de queijo Emmental cortado em cubinhos,
- Azeite 

Modo de preparo:

Em um recipiente, reservar o brócolis na água por alguns minutos. Após lava-lo, retirar toda a água transferindo para uma assadeira. Separa-lo em gomos. Quebrar as mini torradas em pequenos pedaços distribuindo entre os gomos de brócolis. Em seguida, fazer o mesmo procedimento com o queijo Emmental e a pimenta vermelha. Por último regar tudo com azeite. Colocar no forno à temperatura de 180ºC durante 15 minutos. Regar com mais azeite, voltando para mais 15 minutos finais.

O Vinho:
Pania Sauvignon Blanc 2014
Produtor: New World Wines
Região: Nova Zelândia - Marlborough 
Análise organoléptica:
Cor/ Visual: amarelo palha com reflexos verdeais.
Aromas: frutas tropicais, abacaxi, maracujá e citricas (limão), ervas finas.
Boca: leve, frutado, de ótima acidez e persistência.
Obs: é do tipo que a gente bebe e ama, além da bela garrafa ilustrada pela artista plástica Annie Smits, que conseguiu captar toda sutileza e feminilidade impressas neste vinho.



Resultado: É um vinho que pede uma harmonização com comidas leves e saladas é uma ótima pedida. O brócolis ganhou um certo peso, mas tão discreto, que só veio a melhorar com os adição do queijo Emmental, pimenta vermelha e croûtons, que potencializou a crocância do brócolis assado. O queijo Emmental é geralmente indicado na harmonização de vinhos tintos e frutados por ser um queijo com sabor suave e adocicado. Pania Sauvigon Blanc tem tanta expressão na fruta, que ao final de boca, deixa um certo dulçor, elemento que harmonizou com o queijo. Tudo perfeito!


Pania Sauvignon Blanc
R$ 49,90
Onde comprar: Vinhos On Line: http://www.vinhosonline.com/

Até o próximo post!

Vanda Meneguci

segunda-feira, 9 de março de 2015

Degustação de Vinhos La Crema


O estado da Califórnia não é só conhecido no mundo pelas suas belas paisagens, Hollywood e praias, mas também pelos seus excelentes vinhos. Sua grande variedade de climas, propiciou que missionários espanhóis se aventurassem na plantação das primeiras videiras ainda em tempos remotos, por volta de 1770. A degustação de Paris de 1976 foi o grande marco para o reconhecimento dos vinhos americanos, surpreendendo o mundo quando os californianos venceram  os então célebres Bordaleses e Borgonheses.

Conheci nesta última quarta - feira os vinhos La Crema, uma vinícola fundada em 1979 que hoje faz parte do renomado grupo Jackson Family Wines. Seu know how é produzir vinhos de qualidade com as castas Chardonnay e Pinot Noir instalados nas melhores apelações de clima frio na Costa da Califórnia:  Sonoma (Russian River Valley) e Monterey. São premissas básicas seguidas à cartilha deste produtor: perpetuar com as tradições familiares, investir constantemente em terras e aquisição de barricas, produzir vinhos de alta gama (acima de $10,00 no varejo) e praticar a sustentabilidade. Todos os vinhos degustados foram da safra 2012, onde torna-se evidente a diferença dos aromas e sabores atribuídos a cada um deles, ainda que produzidos com as mesmas uvas. Essa é a justificativa dada aos microclimas tão diversos.

Vamos então para os vinhos?

1) La Crema Monterey Chardonnay safra 2012
Análise organoléptica:
Cor/ Visual: amarelo dourado brilhante com reflexos verdeais.
Aromas: pêssegos, frutas cítricas, leve toque floral, mineral.
Boca: médio corpo, boa acidez, toque defumado.
Obs: gostoso em boca, com as notas aromáticas confirmadas no palato. 
R$ 147,00


2) La Crema Russian River Valley Chardonnay safra 2012
Análise organoléptica:
Cor/ Visual: amarelo dourado brilhante com reflexos verdeais.
Aromas: frutas de caroço, especiarias, com boa complexidade aromática.
Boca: encorpado, boa acidez e longa persistência em boca.
Obs: de boa complexidade aromática, ótima acidez e textura amanteigada.
R$ 229,00


3) La Crema Monterey Pinot Noir safra 2012
Análise organoléptica:
Cor/ Visual: vermelho rubi granada com leve halo de evolução.
Aromas: ameixas maduras, cacau, floral.
Boca: corpo médio, boa acidez.
Obs: frutado e bastante agradável.
R$ 169,00


4) La Crema Sonoma Coast Pinot Noir safra 2012
Análise organoléptica:
Cor/ Visual: vermelho rubi granada com leve halo de evolução.
Aromas: frutas vermelhas, cerejas, especiarias doces, café.
Boca: corpo médio, boa acidez, com final de boca intenso e persistente.
Obs: gostoso e com boa fruta. 
R$ 192,00


5) La Crema Russian River Valley Pinot Noir safra 2012
Análise organoléptica:
Cor/ Visual: vermelho rubi intenso
Aromas: frutas vermelhas, especiarias e chocolate.
Boca: frutado, de boa estrutura e equilíbrio, taninos macios e muito delicados.
Obs: De cor mais escura que os demais vinhos degustados, apresenta boa estrutura dado aos seus taninos firmes porém elegantes.
R$ 279,00


Os vinhos degustados são importados pela Casa Flora: http://www.casaflora.com.br/




Até o próximo post,
Vanda Meneguci

domingo, 1 de março de 2015

Grande Prova Anual dos Vinhos do Tejo.

No dia 24 de fevereiro, aconteceu no Consulado Geral de Portugal, em São Paulo, a Grande Prova de Vinhos do Tejo, realizada pela já conhecida Caravana dos Vinhos do Tejo, um projeto educativo gratuito destinado a profissionais e enófilos apaixonados, contribuindo assim na promoção dos vinhos desta aclamada região de Portugal. A prova contou com a presença de 14 grandes produtores, sendo a maioria já conhecidos através de seus importadores exclusivos, e algumas em prospecção no mercado, foram elas: Adega do Cartaxo, Batoreu, Quinta da Badula, Casal Branco, Casa Cadaval, Casal da Coelheira, Casal do Conde, Falua, Fiuza, Pinhal da Torre, Quinta da Alorna, Quinta da Lapa, Quinta do Casal Monteiro e Vale de Fornos. A prova foi um sucesso, com grande presença de público, muita sofisticação e beleza, dados ao lugar perfeito. 


Vamos então para os vinhos?


1) Terra de Touros safra 1013
Casta: Arinto
Produtor: Quinta do Casal Monteiro S/A
Importador: sem importador no Brasil
Análise organoléptica:
Cor/ Visual: amarelo palha com reflexos verdeais.
Aromas: citrinos e frutas tropicais.
Boca: boa acidez, frescor e equilíbrio.
Obs: um vinho franco, com a tipicidade esperada dos grandes vinhos produzidos a partir desta casta. Delicioso.


2) Quinta do Casal Monteiro safra 2012
Castas: Touriga Nacional, Merlot, Syrah
Produtor: Quinta do Casal Monteiro S/A
Importador: sem importador no Brasil
Análise organoléptica:
Cor/ Visual: vermelho rubi.
Aromas: frutas vermelhas, especiarias e uma sugestão floral.
Boca: médio corpo, frutado, equilibrado com boa persistência em boca.
Obs: gostoso e muito sugestivo no acompanhamento de queijos e pratos assados. 


3) Badula Colheita Selecionada safra 2012
Castas: Touriga Nacional, Castelão e Alicante Bouschet
Produtor: Quinta da Badula
Importador: sem importador no Brasil
Análise organoléptica:
Cor/ Visual: vermelho rubi intenso.
Aromas: frutas escuras, notas florais, chocolate.
Boca: frutado, corpo médio, uma certa mineralidade e com taninos muito agradáveis.
Obs: uma ótima dica aos importadores interessados em vinhos do Tejo. Me agradou e encantou com a sua facilidade de beber e gostar!


4) Mythos safra 2012
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Cabernet Sauvignon
Produtor: Casal da Coelheira
Importador: Maxbrands
Análise organoléptica: 
Cor/ Visual: vermelho rubi escuro, 
Aromas: frutas vermelhas maduras, aromas florais e mentol.
Boca: encorpado, equilibrado, de grande estrutura e longa persistência em boca.
Obs: descobri ser este um vinho produzido apenas em anos de colheita excepcionais. É um vinho de guarda, de grande longevidade com potencial para estar ainda melhor daqui há dez anos.


5) Bridão Private Collection safra 2012
Produtor: Adega do Cartaxo
Importador: Malbec do Brasil
Análise organoléptica:
Cor/ Visual: vermelho rubi intenso.
Aromas: frutas vermelhas, notas especiadas, couro, cacau.
Boca: frutado, equilibrado, taninos potentes combinados a excelente acidez; bastante  gastronômico, de grande longevidade e final de boca persistente.
Obs: o rótulo é pura arte; é daquelas garrafas que dá vontade de guardar para decoração. Se já é  apaixonante no primeiro olhar, ao degusta-lo as impressões se confirmam. Simple the Best!


Até o próximo post!
Vanda Meneguci