segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Primeiro Wine In São Paulo - Centro Fecomércio de Eventos



Ando apaixonada por vinhos nacionais, e isso vem me causando cada vez mais admiração e orgulho, não só pela qualidade e tecnologia dos produtores, mais também na forma como o mercado evolui  nos eventos do segmento pensando em seus mínimos detalhes. O já conceituado Circuito Brasileiro de Degustação,- com incentivo da Vinhos do Brasil, Wines of Brasil, 100% Suco de Uva do Brasil, Ibravin, Apex Brasil, Secretaria de Agricultura 

Pecuária e Agronegócio, Governo do Estado do Rio Grande do Sul e Abrasel, apresentou nos dias 22 e 23 de agosto, o primeiro Wine In São Paulo, realizado no Centro Fecomércio de Eventos.
 A edição que tem como maior objetivo promover os vinhos nacionais e suas regiões de produção - Vale do São Francisco, Planalto Catarinense, Campos de Cima da Serra, Serra Gaúcha, Alto Uruguai, Serra do Sudeste e Campanha - contou com a participação de 23 vinícolas mais uma estação do Projeto Suco de Uva 100% do Brasil.

Estive lá para conferir o primeiro dia. Cheguei logo no início para aproveitar ao máximo, e também para evitar filas, mais tudo foi muito tranquilo, realizado com muita organização na recepção, desde a retirada das taças ISO e livretos distribuídos a todos os convidados. Iniciei o percurso conhecendo a Sanjo, uma vinícola que fica em São Joaquim, região serrana de Santa Catarina. Comecei conhecendo seu delicioso Núbio Sauvignon Blanc safra 2012. Um vinho jovem, quase incolor, frutado e muito aromático, com notas de frutas frescas. Estava quente na tarde de quinta - feira, e felizmente o vinho foi servido bem geladinho. Passando para os vinhos tintos, degustei o Nobrese Cabernet Sauvignon (um varietal simples mais de ótima qualidade e tipicidade) e o Núbio safra 2007, com 12,9 % de graduação alcóolica, o qual 50% do vinho estagiou em barricas de carvalho francesas. Os destaques ficaram para os dois últimos, o Maestrale e Mastrale Integrus, ambos 100% Cabernet Sauvignon, sendo que o  primeiro passou 18 meses amadurecendo em contato com as borras finas e leveduras (sur lies) em carvalho frânces, já o segundo passou também por fermentação integral  em barris de carvalho  e maceração longa com as cascas pelo período de  4 semanas, a qual lhe conferiu uma coloração bastante intensa. Adorei esse produtor! Sai da mesa de degustação muito admirada, pela abordagem e cordialidade a qual o representante dispensara e pela qualidade e excelência de todos os vinhos provados. Fui posteriormente a Lídío Carraro, vinícola boutique já bastante conhecida e com boa distribuição no país, produtor da região do Vale dos Vinhedos, de Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul.















Lá degustei o Dádivas Pinot Noir safra 2012, um Pinot leve, saboroso, mais o meu foco por fim era conhecer o Faces, o vinho oficial da Copa de 2014. Infelizmente a mesa estava lotada, então não tive muito tempo para perguntas e tampouco conhecer as variedades, mais consegui provar o Faces Branco safra 2012, o qual é um corte de três uvas: Chardonnay, Riesiling e Moscato, gostei muito!!! Já o Faces Tinto... deixamos para a próxima. Cheguei posteriormente onde queria, no produtor Routhier & Darricarrère, o produtor do vinho da Kombi que eu queria muito degustar, antes porém me apaixonei pelo Província de São Pedro Chardonnay safra 2011 servido deliciosamente; muito aromático, de excelente acidez. Soube também, através de enólogo, que este vinho descansou por doze meses em barricas de carvalho da Fôret-des-Voges (Alsácia - França). Diferente dos outros carvalhos franceses, ele confere ao vinho taninos finos e especiais para a elaboração de vinhos brancos finos de guarda. E finalmente aquela garrafa lindinha com o rótulo da Kombi (eu amooo o estilo retrô das Kombis antigas). Eu já havia me apaixonado pela garrafa quando a vi em um site de compras de vinhos, e agora eu estava ali, diante no meu objeto de desejo: O Red (o mome oficial do vinho).

Conta a história dos dois irmãos Darricarrère que vindos do Uruguai ainda jovens compraram uma Kombi vermelha a qual fora batizada de  Col (diminutivo de caracol) pois a consideravam uma casa ambulante, a qual viajavam pelas praias do país. Um vinho jovem, com toques herbáceos de taninos presentes porém elegantes. Amei este vinho e publicitária como sou, comprei a proposta, a história, o estilo visual, o lindinho material de merchandising (uma caixa expositora em formato de Kombi) e claro, o conteúdo do produto. Super recomendo!

Falarei no próximo post sobre mais 2 produtores. Quero terminar este texto com o gosto e impressões maravilhosas referentes aos vinhos experimentados das três vinícolas citadas!!!

Até o próximo post!
Vanda Meneguci.


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Vinitaly 2013 - Consorzio Tutela Valcalepio - Bergamo, Lombardia - Azienda Agricola Locatelli Caffi


BENVENUTI A BERGAMO. CUORE AGRICOLO E PRODUTTIVO DELLA LOMBARDIA- Frase do folder que trouxe comigo para o Brasil para relembrar do pavilhão da Lombardia e principalmente do Consorzio Tutela Valcalepio.


Valcalepio, é uma denominação reconhecida desde 1976, sendo vizinha da famosa Franciacorta, situada entre o Lago d´Iseo e o Lago de Como que tem como determinação a utilização de castas francesas em seu mais típíco corte bordalês, sim bordalês, o qual leva a priori algumas determinações simples: Merlot 40 - 75% e Cabernet Sauvignon 25-60% as quais deverão ser vinificadas separadamente levando em consideração as diferentes épocas de maturação das castas (em Bordeaux, sua região de origem, a casta Merlot costuma amadurecer em média 2 semanas antes da Cabernet Sauvignon sendo a mesma  uma uva que se adapta bem em regiões de climas frios, por fim se adaptou bem em Bergamo). Pela predisposição do terrítório do Consorzio Valcalepio para produção de vinhos tintos partindo das condições particulares de maturação das uvas e também da estrutura, se faz também  vinhos de denominação Riserva (3 anos de envelhecimento obrigatório). Há também regras básicas para a produção de vinhos DOC Valcalepio Bianco e DOC Valcalepio Passito. Para os vinhos brancos, o corte se faz pela variação das uvas Chardonnay, Pinot Bianco e Pinot Grigio na proporção de 55-80% Pinot Bianco e Chardonnay e 20-45% Pinot Grigio. Já o Valcalepio DO Passito, é produzido 100% varietal com a casta "Moscato di Scanzio", uva autóctone da região.


Estava eu então, circulando pelo Pavilhão da Lombardia, quando enfim me surpreendi com esse consórcio o qual não conhecia. O mais interessante nessas grandes feiras internacionais de vinhos é justamente descobrir  "o novo", regiões maravilhosas e produtores únicos. Visitar os estandes da Speri, Masi, Ruggeri, Bucci, La Massa, entre os mais renomados produtores italianos foi fácil, e quem aprecia mesmo bons vinhos italianos encontra todos esses excelentes produtores em território nacional sem muitos esforços, mais se deparar com que é raro, é delicioso!!!  


Conheci a L´Azienda Agriciola Locatelli Caffi, uma vinicola familiar, ao sopé da região de produção DOC, bem no coração de Bergamo e a oeste do Logo Iseo. É uma vinicola que se enquadra no padrão de boutique, a qual leva em consideração a qualidade e excelência dos vinhos em uma produção bastante limitada. Cheguei no estande, e o próprio produtor, o filho mais novo me atendeu. Nessas alturas já tinha visitado tantos produtores da Lombardia, pois estava  fazendo parte de uma rodada de negócios junto a delegações do mundo todo. Foi o produtor mais interessante que conheci, fique lá por mais de 1 hora, conversando sobre o Brasil, sobre a Itália, e obviamente degustando os excelentes vinhos.

Iniciei a degustação provando o DOC Valcalepio Bianco safra 2012 cujo corte é 70% Chardonnay e 30% Pinot Grigio. Estava na temperatura ideal, não muito gelado, mesmo porque estava muitooo frio, e isso poderia comprometer o sabor das frutas e por fim a excelente qualidade do vinho. Na sequência degustei o Rosso DOC safra 2010, com o seu corte bordalês 50% Merlot e 50% Cabernet Sauvignon.


Delicioso, bastante frutado e já com aromas presentes de madeira pelo estágio de 12 meses em barricas de carvalho. O Riserva safra 2008 também segue o mesmo corte, porém com percentuais um pouco diferentes, - 40% de Merlot e 60% de Cabernet Sauvignon- um vinho mais potente, que precisa decantar, gostoso e certamente perfeito para acompanhar carnes vermelhas ou queijos envelhecidos. Pesadão, bordalês - italiano. Detalhe: Me apaixonei pela garrafa, a garrafa mais bonita de toda a Vinitaly: Traz pinturas de Caravaggio no rótulo...aí eu amoleci de vez!!!!  E por último o Moscato Passito da autóctone "Moscato di Scanzio"... só faltou eu solicitar o tapete voador e sair flutuando!!!


A degustação chegou ao fim e o bate papo com o produtor também, que por fim me disse: "Un peccato non si ha tempo per conoscere la cantina" e eu respondi " In una altra volta". Virei una amica brasiliana! Uma grande descoberta. E eu e a Itália, a Itália e eu: Um amor eterno.

Locatelli Caffi: Un Piacere!

Visitem o site da vinicola:


Até o próximo post!

Bom fim de semana.
Vanda Meneguci.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Jantar entre amigos. Ossobuco com Polenta e Malbec de Cahors.

Sábado gostoso, de clima quente em pleno mês de agosto. Um jantar entre amigos se formou,  onde o anfitrião "convidou" os amigos a participar no desenrolar da comida. Carne cozinhando na panela de pressão, polenta para fazer...mesa a ser organizada. Como a mesa da cozinha era relativamente pequena para o número de participantes, decidimos por fim realizar o jantar na varanda, ao ar livre, assim aproveitaríamos a noite de calor de céu limpo e linda.

Mesa posta, tudo encaminhado, polenta pronta. Uma entradinha sem harmonização, apenas para abrir o apetite e refrescar a boca nesta noite de clima tão atípico. Um Chardonnay chileno safra 2010 da DO Sagrada Família - Região do Vale Central nos deixou bem satisfeitos, com os seus aromas de frutas tropicais e maçãs e aquele leve toquezinho de manteiga...agradou! Entre Vermut, cerveja gelada, bate papo e Coldplay tocando, esperávamos ansiosos por nossa estrela principal: O famoso Ossobuco! 


 










           

O mestre - chefe, idealizador e anfitrião, mandou bem, fez bonito! Como na clássica animação Ratatouille, onde o ratinho era o verdadeiro chef cuisinier, assim o foi. Maestria perfeita e todos fizeram as suas tarefas perfeitamente... e finalmente chegou o prato principal: Ossobuco com Polenta harmonizado com um Malbec de Cahors, sudoeste da França, região de origem dessa que é uma casta plantada e conhecida mundialmente. Por ser uma casta com bastante de aromas de frutas, bom corpo e acidez balanceada, é uma deliciosa opção de acompanhamento para massas, aves e carnes assadas, assim como o nosso prato principal, que recebeu também a polenta. Frutas vermelhas frescas vieram na boca, onde ainda deu para sentir as notas de madeira pelo estágio de 10 meses em barricas de carvalho. Esse vinho também tem um percentual de Merlot, o que deixou bastante macio em boca.

Se fosse dar uma nota? A nota seria 10! 10 para as companhias, 10 para noite, 10 para os vinhos (ambos por coincindência eram safra 2010, 10 para o Ossobuco com polenta e para o nosso chef Ratatouille!!!    

Bon appétit !


Até o próximo post!

                               Vanda Meneguci.

                                   Os vinhos:
                                   Korta - Sagrada Família (DO) Chardonnay - Safra 2010. Produtor: Korta (Chile)
                                   Rigal Les Terrases AOC Cahors - Safra 2010. Produtor: Rigal (França)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Conhecendo um Wine Bar - Rouge Bar à Vin


Vinha há algum tempo querendo conhecer um Wine Bar, conceito esse tão falado ultimamente, e que graças a Deus vem se expandindo como as cervejarias e pubs que por fim estão por todos os lugares da cidade e do país afora, sendo bastante frequentadas pelo público brasileiro. Hoje, nós ávidos apreciadores de vinhos felizmente já podemos celebrar também, deixando de  lado assim, um certa carência vinhateira  por locais apropriados para degustação de um bom vinho. Há duas semanas, fui conhecer o Rouge Bar à Vin, um Wine Bar muito interessante, inaugurado há pouco mais de 4 meses, localizado no Itaim Bibi, região sul da capital. Um espaço amplo, arejado e moderno, com aconchegantes ambientes internos e externos. Logo na entrada, o visitante já se depara com um espaço aberto, com mesas bem postas e aquele climinha de lugar agradável e intimista, - o qual tem tudo a ver com vinhos - delicioso, iluminado apenas com a luz das velas nas mesas. A área interna é bastante ampla. Um salão grande com muitas mesas espalhadas e um bar à direita seguindo a mesma extensão. Bojos de luzes redondinhos bem ao estilo europeu- e meu- iluminam e enfeitam o salão principal...Um terceito ambiente desponta, bem ao ar livre onde o cliente pode desfrutar da beleza natural de uma àrvore robusta bem rústica, cheia de raízes externas retorcidas, dando aquele visual típico de vinhas velhas. Por fim, conheci o bar enquanto esperava pelo meu acompanhante. Escolhemos ficarmos sentados no primeiro espaço aberto, com vista para a rua, aquele, com as velinhas postas à mesa de climinha bem intimista. Neste espaço, só havíamos eu, ele e mais duas mesas ocupadas. Era uma noite de quinta feira, porém uma quinta de paralização geral na cidade devido aos protestos gerais. Noite linda e bares vazios, mais que adorei, e vi muitas vantagens nisso.


Pedimos a carta e escolhemos os vinhos. Fomos atendidos por uma moça e logo depois pelo sommelier, o qual resumiu a carta. A casa trabalha com vinhos vendidos por taça e garrafa, sendo que a variedade de taças é bem limitada, entre alguns brancos e tintos (não me lembro ao certo de ter visto algum rosè). A casa trabalha com um grande percentual de vinhos franceses, - quase 80% - e alguns rótulos de outros países, entre eles italianos. Escolhemos o primeiro vinho, e já que a maioria dos rótulos são franceses pensamos: "porque não escolhermos por um francês então?" Meu acompanhante gosta de vinhos estruturados e potentes, sendo assim, pareceu nos interessante um vinho de corte Grenache e Syrah por R$ 89,00 a garrafa. A atendente serviu um pouco na taça para avaliarmos se o vinho estava bom para ser servido. Perfeito! Veio então a primeira garrafa do vinho Domaine François Lurton Les Hauits de Janeil Syrah/ Grenache 2011, do produtor François Lurton (Languedoc). Achei este primeiro vinho estruturado e potente, de aromas bastante intensos, lembrando frutas escuras, cerejas negras, especiariais, e um leve toque de baunilha. Na boca a graduação alcóolica parecia mais elevada do que na verdade ele possuia (13%). Não achei ele tão equilibrado com a acidez, porém tinha um final de boca persistente. Um bom vinho, e de uma bela apresentação visual.


Já o segundo fez bonito na relação custo benefício x qualidade. Escolhemos então um italiano, propriamente da Sicília e sua uva auctóctone: Nero D´Avola Lumà. Ai eu me apaixonei de vez! Fã como sou de vinhos italianos e de vinhos Nero D´Avola esse vinho não me decepcionou. O produtor é a Cantina Cellaro, da região de Sambuca di Sicilia IGT (Agrigento). Com a tipicidade que eu gosto tanto dos vinhos Nero D´ Avola, ameixas, cerejas, amoras e especiarias. Lindamente bom!!!!! Por R$ 48,00 tomamos um excelente vinho o qual ficamos apaixonados e surpreendidos. Acho que também me apaixonei neste dia! Ambiente delicioso, bons vinhos, excelente companhia. O lugar é perfeito, e inspira romance. Não é à toa que concorre em 4 categorias no prêmio "Comer & Beber" 2013/2014, da Veja São Paulo: "Bar de vinhos",  "Bar revelação", "Cozinha" e "Para ir a dois". Uma dica? Vá a dois.

 Até o próximo post!
 Vanda Meneguci.